CARTUCHOS COMPATÍVEIS DANIFICAM AS IMPRESSORAS? MITO OU VERDADE?

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Cartuchos compatíveis e toners compatíveis estragam ou não as impressoras? De onde surgiu esta ideia?

Esta opinião sobre produtos alternativos veio do mesmo lugar de que remédio genérico não é de qualidade e de que outros produtos “não originais” não sejam bons.

Mercado de compatíveis, remanufaturados e genéricos

Antes de aprofundar no tema, é importante entender que o mercado de compatíveis, remanufaturados e genéricos surgiu, principalmente, por conta do preço elevado dos produtos originais. No caso de medicamentos, alguns fármacos como antibióticos ou aqueles em que determinado laboratório ainda detinha a exclusividade de fabricação chegavam a custar o salário mensal de famílias mais carentes, sem contar o quanto do dinheiro público era comprometido com gastos com remédios em hospitais e sua distribuição à população. Havia laboratório produzindo e vendendo o mesmo medicamento há mais de 20 anos, com todos os custos de pesquisa já depreciados e por preços exorbitantes nas prateleiras das farmácias. Porém, tanto por pressão popular, quanto por interesse do governo, foi editada a Lei dos Genéricos e o mercado abriu para outras indústrias farmacêuticas produzirem estes fármacos. O final desta história você já conhece e com certeza já consumiu um remédio genérico ao longo da sua vida.

E os cartuchos compatíveis?

Já no caso específico de cartuchos, toner e fusor a premissa foi a mesma: PREÇO ELEVADO. Diversos estudos já foram publicados comprovando que o litro da tinta de cartuchos para impressoras custa mais caro que champagne francês e outros produtos mais nobres.

No final dos anos 80, início dos 90, começaram a surgir as primeiras impressoras no Brasil, todas importadas, e em muitos casos comercializadas em dólar. Nesta mesma época alguns empresários enxergaram oportunidade e começaram a recarregar os cartuchos e toner vazios, cobrando uma fração do preço dos originais. Apesar da pouca tecnologia disponível na época alguns se especializaram através de cursos no exterior e ofereciam um bom produto, porém, como todo novo negócio, com poucas barreiras de entrada e com bons lucros, rapidamente o mercado cresceu e surgiram empresas oportunistas, visando apenas lucro e oferecendo itens de qualidade duvidosa. Esta foi a oportunidade que os originais precisavam para começar a promover a história de que os produtos são ruins e proteger suas vendas e lucros.

Décadas se passaram, o mercado e suas tecnologias mudaram bastante, as empresas brasileiras sobreviventes deste processo se modernizaram e atualmente dividem a preferência do consumidor com produtos chineses.

Assim como no caso dos medicamentos, onde se é mantido o princípio ativo e substituído o resto, no caso dos cartuchos e toner é necessário manter a funcionalidade elétrica e mecânica do produto, porém, é possível economizar em embalagem, mão de obra, fretes, armazenagem e insumos que não impactam diretamente na funcionalidade do item, por conta disso, diversos fabricantes de compatíveis utilizam matéria-prima americana e japonesa na produção de seus produtos, ou seja, “o mesmo princípio ativo dos originais”. O intuito disso é evitar falhas comuns, como manchas nas impressões e entregar uma solução mais rentável economicamente ao consumidor.

Importação de cartuchos compatíveis

Anualmente são importados no Brasil milhões de unidades de cartuchos, no mundo este número atinge a casa dos bilhões. As fábricas na Ásia, onde são produzidos a maior parte destes produtos, se modernizaram tanto para atender a demanda de quantidade, qualidade e baixo custo que estão quase que totalmente robotizadas, com rigorosos controles de processos de produção e qualidade. Entregando produtos mais confiáveis a cada dia.

É fato que não existe legislação especifica ou norma técnica para este tipo de artefato, e apesar da redução de margens de lucro ainda existem muitos empresários oportunistas interessados neste segmento, por isso é importante cautela por parte do consumidor no ato da compra, afinal, ninguém quer sentir na pele o ditado do “barato que sai caro”.

Com alguma pesquisa rápida é possível identificar boas empresas e conferir que a diferença entre toner original e compatível irá se resumir ao preço. Sugiro este estudo principalmente para empresas de outsourcing de impressão e locação de impressoras e copiadoras, tão sensíveis ao custo de cópia.

Excetuando aplicações muito específicas, como impressão de alguns exames laboratoriais de imagem e impressos de segurança, os maiores impressores do Brasil (bancos, governos, hospitais, etc) já utilizam produtos compatíveis há mais de uma década com muito sucesso na redução de custos. E, mesmo nos casos de percentil de defeitos maiores que os originais, a relação custo-benefício se mostrou extremamente vantajosa.

Por: Fábio Gonçalves.